Em Literatura

Resenha de HQ: A Louca dos Gatos | Sarah Andersen


A Louca dos Gatos é um compilado de tirinhas fofas da cartunista americana Sarah Andersen. Foi uma HQ que li em um dia e recomendo para todos que estão procurando algo leve e às vezes divertido, às vezes real, para ler. 

Inclusive, decidi comprar esse quadrinho, porque passei um período meio de ressaca literária, meio de não conseguir lidar com toda a pressão que estava na minha cabeça, então queria uma leitura mais rápida, calma e divertida. 

Leia também: Ressaca Literária: o que é e como lidar com ela? 

Tenho certeza que em algum momento você vai se identificar com as tirinhas de A Louca dos Gatos. Elas falam um pouquinho sobre gatos, claro, mas também sobre ser artista (e a HQ tem conselhos muito interessantes sobre isso no fim), sobre ansiedade, sobre a vida adulta e, principalmente, as características, dificuldades e felicidades que qualquer pessoa comum, como eu e você, tem e vai passar durante alguma fase da vida. E também, uma mensagem de esperança mostrando que está tudo bem, que tudo isso faz parte e que vai passar. 

O traço da Sarah é simples, mas muito bonito e, se tem algo que eu gosto muito de ver em HQs e em A Louca dos Gatos não foi diferente, foi a forma como a emoção da personagem é passada nas ilustrações. É tão, tão fofo ver os olhos da protagonista quando ela está feliz ou emocionada! Convido você a reparar nisso enquanto estiver lendo. 

Sarah Andersen também tem outras HQs nesse estilo publicadas além de A Louca dos Gatos: Ninguém é Adulto de Verdade e Uma Bolota Molenga e Feliz, que eu ainda não li, mas agora quero muito.

A Louca dos Gatos, de Sarah Andersen | Foto: Luiza Lamas
Você já leu essa HQ ou alguma outra da autora? Tem vontade? Vamos conversar nos comentários!

Autora: Sarah Andersen 

Editora: Seguinte
112 Páginas 
5 Estrelas 

Sinopse: A terceira coletânea da cartunista Sarah Andersen traz novas tiras que retratam os desafios de ser um jovem adulto num mundo cada vez mais instável.
Os quadrinhos de Sarah Andersen são para todos que precisam lidar com níveis de ansiedade cada vez mais alarmantes, que sentem que o mundo está à beira do colapso e que se esforçam para sair ao menos um centimetrozinho da zona de conforto. Ou seja, é basicamente um manual de sobrevivência para os dias de hoje.
Além de suas tirinhas sagazes e encantadoras, a autora, que já reuniu mais de 2 milhões de fãs no Facebook, traz também ensaios ilustrados com dicas para os artistas aspirantes aprenderem a lidar com críticas, ignorarem os trolls na internet e não desistirem de mostrar seu trabalho.

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Nova identidade visual do Livriajando: detalhes legais para você conhecer

Se você já leu ao menos alguma postagem desse blog, deve ter visto que nossa identidade visual mudou. Ou, melhor dizendo, nasceu. Agora a gente tem um logo e um banner (♥) que acho que representa tudo o que eu queria trazer pra esse cantinho tão especial para mim. Por isso, nada mais justo do que eu contar um pouco mais sobre eles para vocês, além de explicar como estão relacionados com o conteúdo do blog. E claro que eu não poderia deixar de divulgar o trabalho maravilhoso da minha amiga querida do coração (risos) que fez tudo para mim. Chega mais!

Quem fez a identidade visual do blog? 



Quem fez o logo e o banner do Livriajando foi a Amanda Mendes, Designer formada pela Faculdade Belas Artes e atualmente focada em Experiência do Usuário. Ainda bem que a vida fez a gente se conhecer e eu topar com o trabalho incrível dela. 

Depois de algumas conversas, ideias e referências, a Amanda, que já tinha feito a identidade visual de todo o meu TCC, criou o logo de fundo amarelo com uma menina lendo, que obviamente sou eu, Luiza. Apelidamos a ilustração carinhosamente de Luizinha, rs. 

Ela também teve a ideia de colocar o aviãozinho na capa do blog junto com o nome, para representar alguns posts sobre viagem que às vezes pipocam por aqui (obviamente, por conta da pandemia, vou demorar muito para viajar de novo). 

Por favor, façam um favor para vocês mesmos e vão visitar o portfolio da Amanda no Behance e também o portfolio no Wix. Contatem ela para jobs! 

Se quiserem saber mais sobre o propósito do blog, não deixem de visitar a nossa página Sobre

O que vocês acharam do logo e da capa do blog? Gostaram? Eu fiquei tão feliz! Contem pra mim nos comentários!


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Em Literatura

Resenha: O Peso do Pássaro Morto | Aline Bei

A leitura de O Peso do Pássaro Morto traz gatilhos de abuso sexual. 
Antes de tudo, preciso dizer que O Peso do Pássaro Morto é um livro dolorido de se ler, que não recomendo para todo mundo, principalmente em momento de isolamento social. É uma obra extremamente necessária, mas também muito forte sobre dor, perda e, principalmente, falta de razão para viver por conta de acontecimentos tristes e injustos do passado. 

Em O Peso do Pássaro Morto, romance narrado em versos, acompanhamos a trajetória de uma mulher cujo nome não é em nenhum momento mencionado em diferentes etapas da vida: começa na infância e termina na meia-idade. 

Essa personagem sonha em ser aeromoça, já que "elas voam sem precisar de asas" (41% do Kindle), mas um acontecimento da adolescência faz absolutamente todas as perspectivas dela ruírem. É literalmente como se essa mulher fosse um pássaro (e foi essa a analogia que eu fiz do título) que perdesse as asas e morresse aos poucos. 
"o que eu estaria fazendo se eu
pudesse ter escolhido fazer
alguma coisa?"
- 41% do Kindle. 
Esse acontecimento vai moldar o resto da vida dela a ponto de a mulher não conseguir mais criar laços suficientes com ninguém ou até literalmente não ter vontade de fazer isso. Ela, inclusive, sente a necessidade de explicar como o mundo é cruel e dolorido na maior parte ou todo o tempo. 
"eu estava chorando
de cansaço, olhei praquela criança
também chorosa, ela que
não fazia ideia
do que é no mundo nascer um menino,
alguém precisa contar."
[...]
as mulheres
abusadas nas trincheiras e
nos viadutos
não estão nos livros de história."
 - 35% do Kindle. 
O mais incrível e ao mesmo tempo dolorido é que pessoas como a protagonista estão por aí o tempo inteiro e são bastante reais. Pessoas que passaram pela vida sem a viver de verdade, porque estão traumatizadas ou não aguentam lidar com a dor. Pessoas que perderam outras pessoas muito queridas e têm dificuldade ou não sabem lidar com a morte. Pessoas que foram violentadas. Pessoas que tiveram filhos, mas não queriam. Pessoas que em alguns momentos simplesmente não aguentam mais. 
"entendendo que o tempo
sempre leva
as nossas coisas preferidas no
mundo
e nos esquece aqui
olhando pra vida
sem elas."
- 68% do Kindle. 

O Peso do Pássaro Morto faz parte da literatura brasileira e foi vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2018 na categoria Melhor Romance de Autor Estreante com Menos de 40 anos. Está disponível gratuitamente no Kindle Unlimited. 

Vocês já leram O Peso do Pássaro Morto? Também se impressionaram com a história? O que acharam? Me contem nos comentários!

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Em Literatura

Passarinha | Kathryn Erskine

Passarinha, de Kathryn Erskine
Quem narra a história de Passarinha é Caitlin, uma menina de dez anos portadora da Síndrome de Asperger, condição que se enquadra dentro do espectro autista. Ela tem dificuldades para fazer amigos, não é muito boa com interações sociais e a matéria que menos gosta na escola é o recreio, porque é muito barulhento e tem gente gritando o tempo inteiro. 

A pessoa que a ajudava a lidar com isso e entender o sentido de tudo era seu irmão mais velho Devon, mas agora ele se foi para sempre. O pai está muito revoltado, chateado e em uma espécie de luto bem profundo e, então, Caitlin acaba se aproximando bastante do seu dicionário, do computador e dos livros, que ela acredita que sejam seus amigos. 

Por conta disso, e com o auxílio da terapeuta que a ajuda na escola e do próprio irmão (em diversos momentos a menina se guia a partir do que o irmão faria ou sobre o que já tinham conversado antes), a menina descobre que o melhor a fazer é encontrar um desfecho para ela mesmo e para o pai. Mas como Caitlin tem dificuldades para desenvolver empatia, olhar nos olhos das pessoas e entender verdadeiramente o que elas estão sentindo, isso acaba se tornando uma tarefa difícil. Mesmo assim, ela está disposta a trabalhar nisso. 
"Acho que vai doer. Mas talvez depois da dor eu consiga fazer uma coisa boa e forte e bonita de tudo isso". - 71% no Kindle. 

Empatia e ponto de vista de Caitlin: os assuntos chave da narrativa


Embora o ponto de vista de Caitlin não seja propriamente um assunto, ele é essencial para que a proposta do livro funcione: ao mesmo tempo que Caitlin tem que aprender a desenvolver a empatia para conseguir encontrar o desfecho que ela espera, também é esperado de nós, leitores, que alcancemos a empatia por pessoas, por exemplo, que têm Síndrome de Asperger ou qualquer outra condição que não seja a nossa (afinal, cada vida é diferente, certo?). 

Como o livro é narrado o tempo inteiro por ela, acabamos descobrindo a razão de alguns comportamentos específicos, como o agitar das mãos, os gritos inesperados, a alegria repentina que não dá para conter, o fato de tentar se esconder, o comportamento introvertido, etc. Além disso, a narrativa se torna infantil (mas não menos inteligente ou profunda), já que Caitlin escreve basicamente como se fala. 

Passarinha é um livro totalmente sensível, que vai fazer você rir em alguns momentos por se identificar com a sinceridade da menina; e também chorar, por querer abraçá-la, abraçar seu pai e abraçar inclusive o irmão, que pelos olhos de Caitlin era um exemplo a ser seguido. 

Ganhador de diversos prêmios, como National Book Award de 2010, Crystal Kite Award de 2011 e outros, Passarinha foi favoritado por mim como um dos livros da vida e merece especial atenção de todos os leitores. O melhor de tudo é que está de graça no Kindle Unlimited! 

Vocês já leram? O que acharam da história? Me contem nos comentários para a gente conversar! 
Autora: Kathryn Erskine

Editora: Valentina
224 Páginas

5 Estrelas (Favoritado)
Sinopse: No mundo de Caitlin, tudo é preto e branco. Qualquer coisa entre um e outro dá uma baita sensação de recreio no estômago e a obriga a fazer bicho de pelúcia. É isso que seu irmão, Devon, sempre tentou explicar às pessoas. Mas agora, depois do dia em que a vida desmoronou, seu pai, devastado, chora muito sem saber ao certo como lidar com isso. Ela quer ajudar o pai - a si mesma e todos a sua volta -, mas, sendo uma menina de dez anos de idade, autista, portadora da Síndrome de Asperger, ela não sabe como captar o sentido.
Caitlin, que não gosta de olhar para a pessoa nem que invadam seu espaço pessoal, se volta, então, para os livros e dicionários, que considera fáceis por estarem repletos de fatos, preto no branco. Após ler a definição da palavra desfecho, tem certeza de que é exatamente disso que ela e seu pai precisam. E Caitlin está determinada a consegui-lo. Seguindo o conselho do irmão, ela decide trabalhar nisso, o que a leva a descobrir que nem tudo é realmente preto e branco, afinal, o mundo é cheio de cores, confuso mas belo.
Um livro sobre compreender uns aos outros, repleto de empatia, com um desfecho comovente e encantador que levará o leitor às lágrimas e dará aos jovens um precioso vislumbre do mundo todo especial dessa menina extraordinária.

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Em Literatura

Cartas para a minha mãe | Teresa Cárdenas


Autora: Teresa Cárdenas
Editora: Pallas
112 Páginas
5 estrelas
Sinopse: Uma menina escreve cartas para sua mãe morta. Através delas ficamos sabendo que teve que ir morar com a tia e as primas, que não gostam dela. Não se cansam de lembrar que deveria fazer um esforço para disfarçar sua cor e ficar mais parecida com uma pessoa branca. Sua avó está sempre desgostosa, com ela e com a vida em geral.
Mas a autora das cartas começa lentamente a descobrir um mundo além de seus problemas familiares. À medida que faz amigos — entre outros, um jovem que também tem problemas com a família e uma velha que é ao mesmo tempo jardineira e bruxa — suas feridas começam a cicatrizar. A menina fica cada vez mais forte, consegue ganhar o respeito dos outros e aprende a aceitar-se a si mesma a aos outros.
Este é um romance emocionante sobre perdas irreparáveis e sobre o poder restaurador do amor e do autorespeito. Ambientada em Cuba, a narrativa desafia nossas crenças sobre essa ilha que, afinal, conhecemos tão pouco.
Em Cartas para a Minha Mãe, uma criança (que em nenhum momento descobrimos o nome) escreve cartas para a mãe já falecida, para tentar lidar com a perda e a falta que sente dela, além de quebrar uma espécie de silêncio vindo a partir dessa morte específica. 

Ela começa contando que foi morar com a tia e as primas, que não gostam dela nem um pouco. Fala sobre a relação tão conturbada com a avó, que a maltrata quase o tempo todo e não a presenteia com doces, como faz com as primas; cita a hostilização que sofre pela família por ser negra, ter o nariz achatado e os beiços grossos.  
"Lilita e Niña passam os dias zombando de mim. Eu não ia zombar se a mãe delas tivesse morrido". - Pág.10. 
Em outro momento, ela também cita a mudança de escola, em que a maioria é branca, e como se sente ao, por exemplo, se olhar no espelho.  
"Descobri que meus olhos são parecidos com os seus, que não podiam ser mais bonitos, e que minha boca e meu nariz são normais. Não gosto que digam que os negros têm nariz achatado e beição. Se Deus existe, com certeza está furioso por ouvir tanta gente criticando sua obra. Como acha que eu ficaria com olhos azuis, narizinho fino e a boca feito uma linha? Horrorosa, não é verdade?". - Pág.19. 

O racismo estrutural: o assunto chave da narrativa  


Em diversas cartas que escreve para a mãe, a protagonista, com muita sabedoria e, em alguns momentos, inocência, fala sobre o racismo estrutural, mesmo que não saiba o que isso significa. Ela fala sobre a imagem de Jesus branca, loira e de olhos azuis, quando sabemos que, pela região em que morou e pelo povo com quem convivia, ele não seria assim; fala sobre a fixação da avó pelas filhas e netas casarem com um branco, além de ela se orgulhar por servir a uma casa de pessoas brancas. 

O livro também trata de violência familiar física e psicológica pelos olhos de uma criança. Fala sobre aceitação, crescimento e perdão. É um livro pequeno, mas muito tocante e profundo. Achei bonito demais ver a mescla entre os pensamentos sábios da protagonista e a forma ingênua em que ela fala sobre o assunto com a mãe, mesmo que seja algo simples, como a gravidez e a menstruação. 
"Vovó disse que a partir desse momento, elas têm que manter os olhos bem abertos em cima de mim para eu não acabar grávida. Que história é essa, mamãe? Não acredito que por causa de um pouco de algodão que ponho entre as pernas eu vá acabar grávida. Isso não é assim. Primeiro, tem que casar, comprar uma linda casa e ser feliz. Só depois que a cegonha aparece e a barriga da gente começa a inchar. Qualquer um sabe disso". - Pág. 41/42
Teresa Cárdenas, a autora de Cartas para a Minha Mãe, é cubana. Além disso, o próprio livro se passa em Cuba, o que o torna uma ótima fonte de informação sobre a religião afro-cubana e os representantes delas. Teresa foi ainda vencedora do prêmio Casa das Américas, do prêmio David e do Prêmio Nacional de Crítica Literária. 

Você já leu Cartas para a Minha Mãe ou outro livro da Teresa Cárdenas, como Cachorro Velho? Já estou com expectativas para conhecer essa história! 

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Em Literatura Papo de Livro

Ressaca Literária: o que é e como lidar com ela?

Você já ouviu falar em ressaca literária? Mesmo que não saiba o que é, já deve ter passado por ela. E não, não tem nada a ver com beber demais. Resolvi falar sobre esse assunto, porque já passei por isso algumas vezes e queria passar algumas dicas para vocês, além de esclarecer que passar por esse processo é completamente normal. E não, você não é um leitor ruim se tiver diversas ressacas em um mês ou ano. Apenas significa que foram feitas algumas leituras muito marcantes, ruins ou que você está cansada demais. Vamos esclarecer o que é ressaca literária e como lidar com ela.

O que é ressaca literária? 

o que e ressaca literaria
Ressaca Literária: e agora? 
A ressaca literária acontece quando um leitor ou leitora tem vontade de começar um novo livro, mas não consegue se concentrar o suficiente na história, se distrai muito fácil e em algum momento, justamente por isso estar acontecendo, sente vontade de largar a narrativa. Podem ocorrer diversas tentativas de ler de livros diferentes, mas mesmo assim a sensação não passa. Você já esteve dentro desse cenário? 

Essa situação pode acontecer por alguns motivos específicos. O primeiro, muito parecido com a ressaca relacionada ao consumo de bebida alcoólica, é literalmente consumir muito conteúdo literário, ler muitos livros seguidamente ou ao mesmo tempo e cansar a cabeça a ponto de ela recusar a prática. É como se ela estivesse saturada de receber e processar todas as histórias e pensamentos que você tem enquanto lê e pedisse um tempo. 

Outro motivo que pode causar a ressaca literária é ler um livro muito bom e não conseguir superá-lo a ponto de não se conectar com uma nova história. Pode ser porque você gostou muito dos personagens, não quer largá-los e sente muitas saudades; porque se identificou muito com a história e se viu representada ali; porque teve diversas sensações ao ler a mesma obra (rir, gargalhar, chorar, ficar agitada e em expectativa por conta do final do livro), etc.

Por fim, essa ressaca pode acontecer se você leu um livro que considerou ruim. Às vezes, é porque você criou muitas expectativas sobre a história e acabou se decepcionando; porque o livro é mal escrito e tem muitos erros de ortografia; porque não se identificou com os personagens e não se conectou com a história.

Como lidar com a ressaca literária e sair dela?

A boa notícia é que existem maneiras de sair da ressaca literária e se sentir mais produtivo quanto a qualidade das suas leituras, mesmo que isso demore um pouco. Abaixo, deixo algumas recomendações que eu mesma faço quando isso acontece comigo; pode ser que funcione com você ou não. Acho importante ressaltar que não há nenhum tipo de cobrança do tipo "meu deus, preciso sair dessa ressaca logo para voltar a ler". Não costumo me forçar nesse sentido, são ações já automáticas para mim que me ajudam a me conectar novamente com a literatura. 

1 - Dê um tempo à leitura 

Uma das ações que me ajudam a lidar com a ressaca literária é curti-la um pouquinho até que ela vá embora. Isso significa parar te tentar ler um novo livro e simplesmente ficar algum tempo sem ler. Aproveito para não fazer nada, estudar, ver algum filme que há algum tempo queria e até testar uma receita nova, principalmente doce ou de chocolate. Depois de alguns dias ou semanas, quando me sinto preparada para olhar para a minha estante novamente, procuro um livro.

2 - Tente ler uma HQ

Ler histórias em quadrinhos me faz sentir mais produtiva quanto ao meu ritmo de leitura, pois são obras que, além de texto, contam com imagens, o que geralmente faz com que a gente vire as páginas mais rápido, absorvendo a história da mesma maneira. Outra característica que torna a leitura das HQs mais dinâmica é que algumas praticamente só têm diálogos o não contam com narração, que acabam diminuindo o fluxo da história. 

3 - Pegue um livro do seu gênero ou autor(a) favorito 

Você gosta de ler romances, ficção, biografia, auto-ajuda? Então experimente pegar um livro do seu gênero ou autor(a) favorito, pois a chance de você se conectar com a história e não se frustrar nesses casos é maior. Principalmente se você for escolher a obra pelo autor, tenha em mente que você já deve conhecer alguns dos pontos de vista defendidos por ele, como é a dinâmica de escrita dele e que tipo de personagens ele utiliza ou gosta de colocar em suas narrativas, sejam eles personagens tímidos, empoderados, descolados, etc. Assim, fica mais fácil de se identificar com a obra. 

4 - Assista a vídeos dos seus produtores de conteúdo favoritos

Algo que me ajuda muito a ficar inspirada novamente dentro do meio literário é assistir a vídeos dos meus produtores de conteúdo favoritos da internet, mesmo que eles não falem sobre livros. Isso porque me sinto animada novamente vendo que eles continuam fazendo as atividades que gostam, seja ler, fazer uma receita, discutir um assunto importante... E aí tenho vontade de fazer o que eu gosto também. 

Vocês já sabiam o que é ressaca literária? Deixem as dicas de vocês sobre como lidar com isso nos comentários! Alguma dica que eu falei também ajuda vocês? 


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Em Literatura

a princesa salva a si mesma neste livro | Amanda Lovelace

a princesa salva a si mesma neste livro, de amanda lovelace
Autora: Amanda Lovelace
Editora: Leya
208 Páginas
4 estrelas
Sinopse: a história de cada um de nós conta várias e muitas histórias, diferentes e iguais a tantas outras. Uma história que não é a nossa pode nos contar também sobre quem somos. Era uma vez uma garota que era princesa. A garota cresceu e virou donzela. Cresceu mais um pouco e virou rainha. Parece simples, mas não é. Leva tempo, amor, superação e dedicação para conhecer a si mesmo. Leia e descubra-se.

A história 

a princesa salva a si mesma neste livro é uma obra de poesias bem rapidinha de ler, mas muito profunda. Ela é dividida em quatro partes: a princesa, a donzela, a rainha e você e funciona como uma ironia à princesa que é salva e retirada da torre por um príncipe. Basicamente, a ideia do livro é a própria protagonista evoluir conforme escreve as poesias e ao final, aprender a acreditar em si mesma, ao invés de depender da afirmação dos outros (e dos homens, principalmente). Há também, ao longo da obra, uma espécie de apresentação (e por isso, a autora nos leva à discussão) do contraste que é a fantasia dos contos de fada e a realidade feminina, que é bastante dura e nada bonitinha ou perfeita.

Cotidiano social feminino: o assunto chave da narrativa 

Conforme avançamos com a leitura de a princesa salva a si mesma neste livro, percebemos alguns pontos cruciais sobre o eu lírico das poesias: teve uma infância complicada, principalmente em relação à mãe e sofreu abuso psicológico; enfrenta muitos problemas relacionados ao corpo; perdeu a mãe e a irmã cedo demais, por isso (e também por outras razões) pratica automutilação e outras formas de machucar a si mesmo (o livro inclusive tem diversos gatilhos, fiquem atentos).

É claro que todas essas situações podem acontecer tanto com homens quanto por mulheres, mas na obra a perspectiva sobre esses assuntos vai ser feminina. É possível perceber a evolução do eu-lírico conforme as partes do livro avançam: a poesia funciona como um refúgio e, ao longo do tempo, ele vai se aceitando, evoluindo e acreditando em si mesmo.

O livro também é um grito e uma forma de outras pessoas que tiveram experiências parecidas se verem representadas e descobrirem que, de jeito nenhum, estão sozinhas, por isso o considerei tão importante. No final, o convite que a autora faz para descobrirmos quem nós somos e nosso lugar no mundo é crucial;

Porém, o que me fez não dar cinco estrelas para a obra foi que em um determinado momento, pareceu que o eu lírico não se salvou sozinho, mas sim precisou encontrar uma outra pessoa para que isso acontecesse. Na verdade, posso ter tido essa percepção apenas pelo modo de como a autora escreveu, mas essa parte me incomodou.

a princesa salva a si mesma neste livro foi ganhador do prêmio Goodreads Choice Awards em 2016 como o melhor poesia, assim como a bruxa não vai para a fogueira neste livro, outro livro da autora, ganhou o mesmo prêmio em 2018. Há ainda outra obra de Amanda Lovelace publicada aqui no Brasil: a voz da sereia volta neste livro, de 2019, publicada pela editora Planeta.

Vocês já leram este livro ou gostam de ler poesias? Têm outras indicações de livros com a mesma temática? Beijos!

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Em Literatura

Maternidade | Sheila Heti


Autora: Sheila Heti
Editora: Companhia das Letras
312 Páginas
5 estrelas
Sinopse: Maternidade trata de uma das decisões mais importantes e que traz consequências para a vida adulta - ter ou não ter filhos? - com a franqueza, a originalidade e o humor que fizeram Sheila Heti uma escritora reconhecida internacionalmente depois de seu livro anterior, How Should a Person Be?.
Ao se aproximar dos quarenta anos, numa fase em que as amigas mais próximas se questionam quando se tornarão mães, a narradora deste romance intimista, sincero e urgente reflete se essa é uma experiência que de fato ela deseja ter.
Numa história que se estende por vários anos, moldada a partir de diálogos com outras vozes femininas e com seu parceiro, e da investigação da relação com os próprios pais, ela se vê num embate doloroso para conseguir fazer uma escolha sábia e coerente.
A filosofia, a leitura do próprio corpo, o misticismo e o acaso formam o caminho para que ela encontre, por fim, a resposta - num lugar mais familiar do que ela jamais poderia imaginar.
Com uma linguagem direta e eloquente, no limiar entre a ficção e o ensaio filosófico, a autora levanta questões essenciais sobre o desejo e o dever de procriar, sobre ser mulher e artista, e sobre como - e para quem - viver.

Leia também: A Filha Perdida | Elena Ferrante

A história

Em Maternidade, somos apresentados a uma mulher que está chegando perto dos quarenta anos, tem um companheiro chamado Miles e não gerou filhos. Apesar de passar a maior parte do tempo criando histórias e refletindo (a profissão da protagonista é ser escritora), ela não consegue tirar da cabeça a ideia de ter ou não ter um bebê. Afinal, parece que todas as suas amigas estão pensando em realmente ter uma criança ou já a tiveram. Mas, será que ela quer realmente passar por essa experiência?

Para tentar responder essa dúvida (e depois percebemos que talvez não para isso), a protagonista, com o apoio do marido, tem a ideia de escrever seus pensamentos sobre o assunto para, quando o livro acabar, ela realmente tomar sua decisão final. E é assim que nasce o livro Maternidade: ele é o resultado das experiências da protagonista.

O nome dela em nenhum momento é revelado, o que nos leva a pensar que talvez estejamos falando de parte da experiência da própria Sheila Heti. De qualquer forma, o livro começa com um jogo de perguntas e respostas feito com moedas, em que duas ou três caras significam sim e duas ou três coroas significam não. As perguntas são desde reflexivas a até comuns, como "Este livro é uma boa ideia?". "Sim". A autora garante que não influenciou as respostas e respeitou o uso das moedas. 

Depois, ela vai acrescentando a isso suas próprias ideias, reflexões e acontecimentos diários, da sua rotina mesmo, para adentrar no assunto: como quando visita suas amigas grávidas ou que já têm filhos, quando assiste a um filme ou quando lê um livro. Essa obra me lembrou muito aquela situação curiosa que já deve ter acontecido com todo mundo: quando não sabemos de algo, não reparamos nesse algo. Mas, quando lidamos com ele pela primeira vez e percebemos que existe, ele começa a aparecer em todos os lugares e nos sentimos rodeados. É assim que vi a maternidade acontecer para a protagonista. 


A não maternidade: o assunto chave da narrativa 

Maternidade, de Sheila Heti
Maternidade, de Sheila Heti | Foto: Luiza Lamas
Embora os relatos da protagonista não sejam expostos de forma cronológica, dá para perceber que ela passou vários anos refletindo sobre ser ou não ser mãe. Ou talvez adiando essa decisão. 

Isso causa diversos níveis de reflexão na personagem, além de crises existenciais e, em uma parte do livro, conflitos muito grandes com o companheiro, que desde o início se posiciona como uma pessoa que não vai decidir sobre a questão, já que ele já tem uma filha e reconhece que essa deve ser uma escolha feminina. Apesar de ela às vezes não reconhecer, Miles a apoia e está do lado dela em qualquer situação. 

"Eu via que outras pessoas já estavam cuidando deste assunto - da maternidade. Se os outros já estavam fazendo isso, então eu não precisava fazer" - Pág. 108. 

Em alguns momentos, considerei as razões que a protagonista aponta para não ser mãe como exageradas demais e até um pouco simplistas, mas em outros, ela traz reflexões importantíssimas, como a das mulheres que não querem ser mães, mas adotam uma criança; as mulheres que não querem ser mães, mas contribuem com o mundo de alguma outra forma, como com a escrita e com a sua inteligência, as mulheres que não querem ser mães porque acham que nasceram apenas para terem o papel de filhas e cuidarem das suas próprias mães, etc. 

Falar sobre a não maternidade leva inclusive a autora a refletir sobre o patriarcado, sobre a pressão social que as mulheres sofrem (quando, por exemplo, são instigadas demais a terem filhos, mas também não podem tomar a decisão de abortar, porque parece que isso já é demais - o ponto aqui é que de alguma forma sempre há a necessidade de controlar o corpo feminino, seja puxando a corda para um lado ou para o outro) e sobre nossos papéis como seres femininos. 

"Viver de um jeito não é uma crítica a todos os outros jeitos de viver. Será que essa é a ameaça que a mulher sem filhos apresenta? Ainda assim, a mulher sem filhos não está dizendo que nenhuma mulher deveria ter filhos, ou que você - mulher empurrando o carrinho de bebê - fez a escolha errada. A decisão que ela toma para a sua vida não é um discurso sobre a sua. A vida de uma pessoa não é um discurso político, ou geral, sobre como todas as vidas devem ser. Outras vidas deveriam correr paralelamente à nossa sem qualquer ameaça ou juízo". - Pág. 148/149. 

Enxerguei a reflexão da autora como importante, pela coragem de expor em uma obra um assunto delicado e que precisa sim ser discutido. Além disso, é muito importante que as mulheres reflitam sobre o fato de desejarem ou não ser mães, pois uma criança é uma responsabilidade e precisa de cuidados, atenção e outras necessidades que às vezes não queremos ou não podemos prover, e isso é normal.  


Maternidade e a autoficção

Maternidade, de Sheila Heti
Maternidade, de Sheila Heti | Foto: Luiza Lamas
Se você olhar a ficha catalográfica de Maternidade, vai perceber que o livro se enquadra em Ficção e/ou Ficção canadense. Ou seja, ele não necessariamente tem a obrigação de apresentar fatos da realidade e representar a vida de alguém que já existe. Porém, o formato do livro, a escrita e informações reveladas pela própria autora nos fazem crer que a obra poderia se encaixar facilmente no que é definido como autoficção.

Para entender melhor este termo, li o capítulo "A autoficção e os limites do eu", do livro Mutações da Literatura no século XXI, de Leyla Perrone Moisés, sobre o assunto. Descobri que o termo foi criado por Serge Doubrovsky, em 1977, na França. Segundo Leyla, os livros de autoficção da época costumavam apresentar as experiências de vida do autor, seus pensamentos e sentimentos. 

"Não eram diários, porque não registravam os acontecimentos dia a dia, em ordem cronológica. Não eram autobiografias, porque não narravam a vida inteira do autor, mas apenas alguns momentos desta. Não eram confissões, porque não tinham nenhum objetivo de autojustificação e nenhum caráter purgativo" - 66% do livro no Kindle. 

Além disso, mais para frente, Leyla expõe que a autoficção não é necessariamente egoísta ou descartável, por falar de uma pessoa específica. Ela pode ser uma forma do autor se assemelhar aos seus leitores e assim, ajudá-los a encontrar respostas que faltam neles mesmos. Há aqueles que defendem que a autoficção é totalmente verdadeira e todos os fatos narrados são reais; e também há os que acreditam que tudo o que é autoficção não passa de uma invenção fantasiosa. 

A boa notícia (e a que eu, pessoalmente, estou mais propensa a acreditar) é que existe uma linha entre esses dois extremos que explica que, como a linguística é um sistema de significados que representam a realidade, a linguagem verbal se torna uma representação convencional do que quer que seja e, por tanto, é sempre infiel e não realista (o que não significa que não pode ter traços de realidade). 

Vocês já viram aquela imagem que diz "isto não é um cachimbo", porque ele é a representação de alguém sobre o que é um cachimbo? Com os livros de autoficção aplicaria-se a mesma linha de raciocínio: como o real não é palpável, ele seria representado, neste caso, pelos livros de autoficção. Além disso, é notável que mesmo a narrativa de uma história real pode ter algum ou outro ponto de vista ressaltado de acordo com os interesses do autor. Ele pode maximizar um ângulo de visão, dar ênfase a fatos que para outras pessoas não seriam tão importantes e expor os acontecimentos em uma cronologia diferente para defender uma ideia. 

Por fim, segundo o livro de Leyla, existem algumas características básicas para que um livro se enquadre dentro da autoficção, que são:

  • O narrador deve ter o mesmo nome do autor; 
  • O eu da narrativa deve se buscar e se autoquestionar com honestidade; 
  • O narrador deve revelar uma verdade interior em sua escrita; 
  • Ele deve levar em conta a questão ética, pois não é possível falar de si mesmo sem citar aqueles que o cercam, como a família e o(a) companheiro(a). 
Por mais que Sheila não tenha dito explicitamente que a história é sobre ela, também não é revelado em nenhum momento qual é o nome da personagem principal de Maternidade, o que nos deixa numa grande dúvida. Contudo, e apesar de Sheila ter dito que "essa história tem mais imaginação e invenção" que o seu primeiro livro, How Should a Person Be? (Como uma pessoa deveria ser?, em tradução livre), não há como não se questionar se muitas das indagações da personagem principal de Maternidade não são as mesmas de Sheila. 

Vocês já leram Maternidade? Gostam dessa temática? Para as mulheres, vocês pensam em ser mães ou em não serem mães? Beijos! 
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 Objetos de estudo usados para escrever essa resenha: 
- Leitura do livro Maternidade, de Sheila Heti;
- Leitura do capítulo "A autoficção e os limites do eu", do livro Mutações da Literatura no século XXI, de Leyla Perrone Moisés;
- Leitura de entrevista da autora para o El País (recomendo a leitura só depois de terem lido a obra, pois contém spoilers);
- Leitura de reportagem do G1 sobre a participação de Sheila em mesa da Flip de 2019;

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Em Literatura

Os Homens Explicam Tudo para Mim | Rebecca Solnit


Autora: Rebecca Solnit
Editora: Cultrix
208 Páginas
5 estrelas 
Sinopse: Em seu ensaio icônico Os homens explicam tudo para mim, Rebecca Solnit foca seu olhar inquisitivo no tema dos direitos da mulher começando por nos contar um episódio cômico. Ela relata que um homem passou uma festa inteira falando de um livro que "ela deveria ler", sem lhe dar a chance de dizer que, na verdade, ela era a autora. Esse episódio deu origem ao termo mansplaining, para situações em que os homens explicam às mulheres coisas que elas sabem e que eles não sabem, assumindo que são superiores simplesmente por serem do sexo masculino.
Rebecca vê essa síndrome como algo que quase toda mulher tem que enfrentar todos os dias. Trata-se de um processo socializado, no qual as meninas são ensinadas a ficar caladas e os meninos aprendem a ter autoconfiança. Há versões extremas dessa síndrome - por exemplo, nos países islâmicos onde o depoimento das mulheres não tem valor legal, de forma que uma mulher não pode denunciar que foi estuprada sem que haja uma testemunha do sexo masculino para se contrapor à palavra do estuprador.
Esse ensaio viral e influente está incluído neste livro, justamente com outros, irônicos, indignados, poéticos, irrequietos - o melhor dos textos feministas de Solnit, nos quais ela analisa as diferentes manifestações de violência contra a mulher, desde o tratamento condescendente até o silenciamento das mulheres, a descredibilização, a exploração, a misoginia, o sexismo, a agressão física, a violência, a morte.
Os Homens Explicam Tudo para Mim é uma exploração corajosa e incisiva de problemas que uma cultura patriarcal não reconhece, necessariamente, como problemas. Com graça e energia, e numa prosa belíssima e provocativa, Rebecca Solnit demonstra que é uma figura fundamental feminista e uma pensadora radical e generosa.

A história

Meu contato com Os Homens Explicam Tudo para Mim foi no começo do ano passado, quando fiz a leitura da obra para escrever um artigo científico para a faculdade sobre como a dominação masculina e a violência simbólica (sim, de Pierre Bourdieu) afetam o feminino. Acabei comparando as duas obras no artigo e expliquei como o discurso de Bourdieu se aplica na vida cotidiana feminina, que estudei por meio do relato de Solnit no livro. 

Aliás, relato esse que começa com a autora contando que estava em uma festa com uma amiga quando passou por um episódio de mansplaining, termo criado a partir da junção das palavras em inglês man (homem) e explain (explicar). Ele é usado para descrever uma situação em que um homem tenta explicar algo para uma mulher, assumindo que ela não entenda sobre o assunto

O dono da festa em questão, durante uma conversa com a autora, questionou-a sobre um livro, àquela época recentemente lançado, que ela própria tinha escrito. Sem deixar Solnit falar sobre a obra ou mesmo explicar que ela era a escritora, o homem começou a contar-lhe o livro, como se ela não o conhecesse. A cada tentativa de tomar a palavra, Solnit era interrompida pelo homem. 

"Tão mergulhada estava eu no papel de ingénue que me fora atribuído que me senti perfeitamente disposta a aceitar a possibilidade de que outro livro sobre o mesmo assunto tivesse sido publicado ao mesmo tempo que o meu, sem eu me dar conta". - Pág. 12/13. 

Durante a festa, foi necessário que ela e a amiga interrompessem o homem pelo menos três vezes para que elas conseguissem se explicar e para ela, "esse tipo de confrontação, com a confiança total e absoluta dos totalmente ignorantes é típica de um dos gêneros”. - Pág. 14. 

A partir deste acontecimento e com o incentivo de outra mulher, a autora acabou por escrever então Os Homens Explicam Tudo para Mim, cujo conteúdo foi antes de tudo publicado na internet. O termo mansplaining, inclusive, passou a existir somente depois da divulgação dos escritos, mas a própria autora questiona o significado dele. 

"Tenho dúvidas sobre essa palavra e não há uso muito; parece-me um pouco pesada na ideia de que os homens têm essa falha inerente, quando, na verdade, o fato é que alguns homens explicam coisas que não deveriam explicar, e não ouvem coisas que deveriam ouvir". - Pág. 25.

Porém, obviamente, isso não impediu Solnit de criar uma espécie de “obra alerta” sobre como o machismo e a masculinidade exacerbada são prejudiciais para a sociedade num geral, mas principalmente para as mulheres. 

"O ponto principal do ensaio nunca foi sugerir que eu me julgo especialmente oprimida e sim tomar essas conversas como a extremidade mais estreita da cunha que abre espaço para os homens e fecha o espaço para as mulheres - espaço para falar, para ser ouvida, para ter direitos, participar, ser respeitada, ser um ser humano pleno e livre. Esta é uma das maneiras como, no discurso educado, o poder se expressa. O mesmo poder que, no discurso não educado e nos atos físicos de intimidação e violência, e com muita frequência na maneira como o mundo é organizado, consegue silenciar, apagar e aniquilar as mulheres, como pares, como participantes, como seres humanos com direitos - e, tantas vezes, como seres vivos". - Pág. 26 e 27.

Violência contra a mulher e estupro: os assuntos chaves da narrativa 

Existem dois pontos principais discutidos pela autora durante todo o livro: violência contra a mulher e estupro. Ela traz esses assuntos a tona por meio de exemplos de casos reais que aconteceram nos Estados Unidos ou ao redor do mundo e, a partir deles, coloca em debate outras questões próximas à esses dois assuntos centrais, como o paternalismo, a cultura do estupro e o feminismo. 

Para ela, a violência é "uma maneira de silenciar as pessoas, de negar-lhes a voz e a credibilidade, de afirmar que o direito de alguém de controlar vale mais do que o direito delas de existir". - Pág. 17.

Em outro momento, quando comenta sobre a violência contra as mulheres que resulta em assassinato, argumenta que “a violência é, antes de qualquer coisa, autoritária. Ela começa com esta premissa: ‘Eu tenho o direito de controlar você’”. - Pág. 40.

Segundo a autora, uma das razões que favorecem o aparecimento da violência é a falta de linguagem, de transmissão de significado e deste poder para elucidar e dar importância a esses acontecimentos. Por conta disso, a violência contra a mulher e o estupro acabam ficando em segundo plano, não parecendo ser importantes para a sociedade ou não merecendo uma discussão aprofundada que venha de todas as instâncias sociais (escola, trabalho, casa, Estado). 


"Se você não tem palavras para nomear um fenômeno, uma emoção, uma situação, não poderá falar a respeito, o que significa que não poderá se reunir com outras pessoas para tratar do problema, e muito menos mudar a situação" - Pág. 165/166.
A autora utiliza como um dos exemplos para mostrar a importância da significação das palavras o termo cultura do estupro,

"um ambiente em que o estupro é predominante e a violência sexual contra as mulheres é normalizada e desculpada na mídia e na cultura popular. A cultura do estupro é perpetuada pelo uso da linguagem misógina, a objetificação do corpo da mulher e a glamorização da violência sexual, criando assim uma sociedade que ignora os direitos e a segurança das mulheres. A cultura do estupro afeta todas as mulheres. A maioria das mulheres e meninas limita seu comportamento devido à existência do estupro. A maioria das mulheres e meninas vive com medo do estupro. Isso não acontece com os homens, de modo geral. É assim que o estupro funciona como um meio poderoso pelo qual toda a população feminina é mantida numa posição subordinada a toda a população masculina, apesar de que muitos homens não estupram, e muitas mulheres nunca são vítimas de estupro" - Pág. 166/167.  

Para a autora, está claro que a divulgação e conhecimentos sobre a cultura do estupro advém do trabalho dos movimentos feministas realizados até hoje, que também ajudaram a dar voz às mulheres, ratificar os direitos delas e a criar leis que julgassem como crime abusos contra o sexo feminino. Além disso, o feminismo favoreceu o crescimento do número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, ao lutar para transformar uma relação potencialmente hierarquizada em uma que estivesse em maior conformidade. 

Você já leu Os Homens Explicam Tudo para Mim ou algum outro livro da Rebecca? Leu livros sobre violência contra a mulher? Me conta nos comentários e fale também o que achou da resenha e do assunto! 

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Em Literatura

A Filha Perdida | Elena Ferrante


Autora: Elena Ferrante
Editora: Intrínseca
176 Páginas
5 estrelas
Sinopse: Aliviada depois de as filhas crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, Leda decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta a atenção para uma grande família napolitana, barulhenta e grosseira, semelhante a sua própria família de origem, da qual conseguiu escapar aos dezoito anos para estudar em Florença. Sentindo por eles uma mistura de repulsa e fascínio, Leda se identifica em especial com Nina, uma jovem mãe, e Elena, sua filha pequena, e se envolve cada vez mais com as duas e com o objeto de afeto da menina, uma boneca. Nina inicialmente parece ser a mãe perfeita e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, porém, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças, da infância infeliz a segredos da vida adulta que ela nunca conseguiu relevar a ninguém. 

A história 

A Filha Perdida foi o meu primeiro contato com a autora Elena Ferrante. O livro narra parte da vida de Leda, professora universitária que, aliviada pelas filhas terem ido morar com o pai no Canadá, decide tirar alguns dias de férias na praia com a intenção de descansar e preparar o próximo período letivo. Assim, sozinha, ela aluga um apartamento, junta livros e roupas e parte para o que todo mundo sabe que é, mas às vezes ignora, uma viagem sozinha: uma jornada de autoconhecimento e, em alguns momentos, desconforto. 

Em seus primeiros dias na praia, Leda logo repara em uma família napolitana grande e um pouco barulhenta. A pessoa que mais chama a atenção dela ali é Nina, uma moça jovem, que tem uma filha pequena, chamada Elena (reparem que o nome da personagem é o mesmo da autora). Durante boa parte do tempo, as duas brincam com uma boneca, que inclusive não desgruda de Elena (elas passam protetor solar juntas, vão brincar no mar juntas, ficam na areia juntas, fazem tudo juntas). 

Isso, de uma maneira muito profunda, coloca Leda em xeque, já que era justamente desse meio materno que ela estava fugindo. Essa família e, principalmente Nina, Elena e a boneca (que, neste caso, também pode ser vista como uma filha de Elena) vão fazer com que Leda acesse todo o seu histórico como mãe e analise sua relação com as filhas, assim como a relação dela com a própria mãe. Em alguns momentos, Leda parece muito madura, enquanto que em outros se mostra tão infantil quanto as próprias filhas quando pequenas.

Maternidade: o assunto chave da narrativa

Parte da maternidade descrita por Elena Ferrante é representada por uma boneca | Foto: Luiza Lamas
Em A Filha Perdida, Elena Ferrante não tem medo de expor detalhadamente os pensamentos e sensações de uma mulher que em alguns momentos fala amargamente das filhas, como se as não quisesse ter tido ou se arrependesse muito. E faz isso com muito talento, segurança e construção de personagens interessantes, inteligentes e controversas, assim como os seres humanos (e as mães) são.  

Além disso, a narrativa é cheia de núcleos maternos e todos eles encontram algum problema em algum momento. Mesmo Nina se irrita com Elena às vezes e a menina sente preocupação excessiva com a boneca, a ponto de deixá-la doente. O que é visto ali é uma maternidade real, com diversos pontos de vista diferentes sobre o mesmo assunto.

A maternidade é abordada por meio de flashbacks em que Leda fala sobre a relação dela com sua mãe, com suas filhas, e também sobre como ela mesma se sente depois de ter deixado as duas meninas seguirem suas vidas. Em alguns momentos, as lembranças são ternas, mas em outros, a sensação é que a personagem principal não aguenta mais, como no trecho a seguir, em que ela sente urgência em ser vista além do papel de mãe:

"Expliquei [ao marido] que não podia mais viver com ele, eu precisava entender quem eu era, quais eram as minhas verdadeiras possibilidades e outras frases assim. Eu não podia lhe dizer aos berros que já sabia tudo sobre mim mesma, que estava com mil ideias novas, estudando, amando outros homens, apaixonando-me por qualquer um que dissesse que eu era talentosa, inteligente, que me ajudasse a me testar". - Pág.123/124.  

Quando fala da mãe, a sensação que temos é que Leda acredita que sua infância foi um tanto incompleta, porque faltou um pouco de atenção e havia sempre pairando a ameaça de a mãe ir embora e largar Leda. Em uma passagem sobre esse assunto, a personagem principal também comenta sobre o dialeto que a mãe usava quando estava estressada: 

"Lembro-me do dialeto na boca de minha mãe quando perdia a cadência meiga e gritava conosco, intoxicada pela infelicidade: não aguento mais vocês, não aguento mais. Ordens, gritos, insultos, um prolongamento da vida nas suas palavras, como um nervo lesionado que, assim que é tocado, arranca junto com a dor qualquer compostura". - Pág. 20/21. 

Essa questão do "nervo lesionado" aparece diversas vezes na narrativa, mesmo que de forma escondida ou subliminar. Quando Nina está em paz com Elena e vive uma maternidade feliz, ela atinge o nervo lesionado de Leda; quando surgem na narrativa memórias sobre as filhas pequenas de Leda e ela se mostra uma mãe imatura ou inconsequente, é porque as filhas estão mexendo neste nervo lesionado. 

Algumas passagens, inclusive, são um tanto fortes, mas acredito que não há um momento em que culpamos Leda integralmente, já que o livro é construído desde o começo nos mostrando que a personagem principal estava extremamente feliz de finalmente poder retomar a sua vida de solteira, poder voltar a pensar nos seus sonhos e nas suas vontades. 

"Quando minhas filhas se mudaram para Toronto, onde o pai vivia e trabalhava havia anos, descobri, com um deslumbre constrangedor, que eu não sentia tristeza alguma - pelo contrário, estava leve, como se só então as tivesse posto no mundo. Pela primeira vez em quase vinte e cinco anos, não senti mais aquela ansiedade por ter que tomar conta delas". - Pág. 07. 

A Filha Perdida é um livro essencial, muito recomendado para aqueles que querem experimentar a sensação de ler obras cruas sobre maternidade. Tive contato com o livro, porque participei de um curso sobre maternidade e literatura de três encontros e em um ele foi o tema principal.

E, afinal, quem é Elena Ferrante?

Elena Ferrante é o pseudônimo de uma escritora italiana cuja identidade é mantida em segredo. Algumas investigações já apontam para um possível nome verdadeiro, mas como é de vontade da autora não ser revelada, vamos respeitar essa posição e focar somente na contribuição desta mulher para a literatura, expondo seus pensamentos, reflexões e personagens. O que sabemos é que Elena Ferrante aprecia as entrevistas por e-mail, por intermédio de sua editora e, ao que parece, concedeu apenas uma pessoalmente, ao The Paris Review

Você já leu A Filha Perdida ou outras obras de Elena Ferrante, como a tetralogia napolitana? Deixe seu comentário sobre o que achou!

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Em Viagem

O que fazer em Blumenau (SC): um guia completo para sua viagem

Cidade conhecida por suas raízes europeias (mais precisamente, alemãs), Blumenau encanta turistas apaixonados por história. É possível reconhecê-la na arquitetura, nos museus, parques e até em conversas com pessoas locais (tenho uma amiga que mora lá a pelo menos dois anos e percebi como é cativante o jeito como ela fala do lugar). Se você está pensando em viajar para Santa Catarina, não deixe de fazer uma visitinha à cidade e acompanhe nosso guia sobre o que fazer em Blumenau. Veja também onde ficar, em quais restaurantes comer e o que fazer a noite, além de saber alguns pratos típicos que você não pode deixar de experimentar.

O que fazer em Blumenau? 

Em três dias é possível conhecer toda a parte turística de Blumenau com tranquilidade. Se você tiver só dois dias, não se preocupe, também dá tempo. O roteiro que vou relacionar a seguir se resume à museus sobre a história da cidade, passeios para fazer a pé e lugares para comer. Blumenau possui ainda dois parques apropriados para fazer trilha e contemplar a natureza, mas não os visitei e nem realizei as atividades, porque estava viajando sozinha. Para conhecimento, são eles: Parque das Nascentes (Rua Progresso, 167, Progresso) e Parque Spitzkopf (Rua Bruno Schreiber, 3777, Progresso). 

1 - Visitar o Museu da Família Colonial 

Museu da Família Colonial | Foto: Gabriele Spiess
Este museu conta a história da colonização de Blumenau por meio de uma visita guiada. É possível conhecer mais sobre o fundador da cidade, seus familiares e ainda observar diversos cenários da época, por meio de maquinários, mobiliários, vestimentas, acessórios e utensílios de uso doméstico. Ao todo, o acervo é de 6200 peças. 

O que me chamou atenção neste espaço foi poder ter contato com a história de Edith Gaerther, sobrinha-neta do fundador da cidade, Hermann Bruno Otto Blumenau (1819-1899). A atriz é considerada uma mulher a frente do seu tempo por ter saído de Blumenau e viajado para a Alemanha aos 20 anos para realizar o sonho de ser atriz. Ela também tinha o costume de usar roupas mais curtas do que o natural para a época. Edith não se casou e nem teve filhos; ao longo de sua vida, teve muitos gatos de uma vez e os ia enterrando no quintal de casa. Ainda é possível visitar o Cemitério dos Gatos, anexo ao complexo do Museu, mas estava chovendo no dia de minha visita, então não tive a oportunidade. 

Serviço:
Museu da Família Colonial

Endereço: Alameda Duque de Caxias, 78 - Centro
Funcionamento: de terça à sexta-feira, sábado e domingo das 10h às 16h
Ingressos: R$4,50 a inteira; R$2,25 a meia-entrada

2 - Visitar o Museu de Hábitos e Costumes 

Museu de Hábitos e Costumes | Foto: Gabriele Spiess 
Bem próximo ao Museu da Família Colonial está o Museu de Hábitos e Costumes, local interessante para quem gosta de roupas, acessórios e pertences de época. O acervo contempla peças sobre como seria morar e viver em Blumenau desde o final do século XIX ao começo do século XX, representadas por chapéus, brinquedos, bolsas, vestimentas, berços e outros itens, inclusive de uso doméstico. Este museu não tem visita guiada. 

Serviço: 
Museu de Hábitos e Costumes 
Endereço: Rua Quinze de Novembro, 25 - Centro
Funcionamento: de terça à sexta-feira, sábado e domingo das 10h às 16h 
Ingressos: grátis. 

3 - Visitar o Museu Hering 

Este museu, com visita guiada, conta justamente a trajetória social e econômica da marca Hering, desenvolvida pela família e, principalmente, pelos irmãos Hermann e Bruno Hering. Com salas expositivas e interativas, é possível conhecer desde de como surgiu a primeira ideia empreendedora da marca (que buscava desenvolver uma malharia barata para os trabalhadores da região) até às ideias de sustentabilidade defendidas pela Hering hoje. É possível ainda visitar o jardim suspenso que fica na casa, mas os horários são restritos e eu não consegui.

Serviço:
Museu Hering 

Endereço: Rua Hermann Hering, 1740 - Bom Retiro
Funcionamento: de segunda a sexta das 9h às 18h, sábados e feriados das 10h às 16h; em janeiro, julho e outubro, o museu também abre aos domingos.
Ingressos: grátis

*Por fim, também está disponível na cidade o Museu da Cerveja (Rua Quinze de Novembro, 160 - Centro)já que Blumenau é conhecida como a capital brasileira da cerveja e possui uma série de cervejarias artesanais - e eu fui até lá, mas não achei tudo isso. No lugar, estão expostos alguns maquinários e garrafas de cervejas antigas, mas não há visita guiada. 

4 - Tirar uma foto no Relógio das Flores 

Relógio das Flores | Foto: Luiza Lamas
Até agora pode não parecer, mas tem muito mais o que fazer em Blumenau do que só visitar museus. Para garantir registros legais da viagem, você também pode passar pelo Relógio das Flores, que inclusive funciona. Se olhá-lo de longe, dá para ler Blumenau e os números principais do relógio: 3, 6, 9 e 12.

Serviço:
Relógio das Flores
Endereço: Praça Victor Konder - Centro

5 - Observar a fachada da Prefeitura Municipal 

Prefeitura Municipal de Blumenau | Foto: Gabriele Spiess
O prédio da Prefeitura Municipal foi inaugurado em 1982, onde antes funcionava a estação ferroviária. A construção é uma imitação da técnica enxaimel (quando as paredes são montadas com hastes de madeira encaixadas entre si na horizontal, vertical ou de forma inclinada e os espaços são preenchidos por pedras ou tijolos) e foi inspirada nas edificações do período colonial. Vale uma bela foto!

Serviço:
Prefeitura Municipal de Blumenau

Endereço: Praça Victor Konder - Centro

6 - Visitar a Catedral São Paulo Apóstolo 

Catedral São Paulo Apóstolo | Foto: Gabriele Spiess
A Catedral São Paulo Apóstolo não é uma parada somente para pessoas religiosas, pois é uma igreja belíssima. A construção possui uma torre de 45 metros de altura com três sinos eletrônicos que representam Jesus, Maria e José. Além disso, o interior da igreja não deixa a desejar: conta com vitrais com efeitos de luminosidade e coloração.  

Serviço:
Catedral São Paulo Apóstolo

Endereço: Rua Quinze de Novembro, S/N - Centro

7 - Andar pela Vila Germânica 

Vila Germânica | Foto: Gabriele Spiess
É no Parque Vila Germânica que acontece a famosa Oktoberfast. Todas as construções ali (restaurantes, bares e lojinhas de lembrancinhas, basicamente) imitam as edificações do período colonial e são bastante coloridas e chamativas. É um ótimo lugar para fazer uma refeição e tirar muitas fotos. 

Serviço:
Parque Vila Germânica

Endereço: Rua Alberto Stein, 199 - Velha

8 - Andar pelo Parque Ramiro Ruediger 

Parque Ramiro Ruediger | Foto: Luiza Lamas
Próximo à Vila Germânica, está o Parque Ramiro Ruediger, um ótimo lugar para fazer uma caminhada e observar a paisagem e as árvores. Ali, há um lago, pista para caminhada, para corrida e inclusive uma lanchonete para matar a fome; porém não cheguei a comer ali, então não posso indicar.

Serviço:
Parque Ramiro Ruediger

Endereço: Rua Alberto Stein, 416 - Velha

Onde ficar em Blumenau? 

Blumenau tem diversos hotéis e hostels disponíveis, além de possivelmente você conseguir alugar algum apartamento ou quarto se quiser. Em minha estadia lá, escolhi o Hotel Mansiones (R. Padre Jacobs, 45 - Centro), com café da manhã incluso (tinha diversos pães, frios, cremes e bolos, além do tradicional ovo mexido, salsichas e pães de queijo).

A localização do edifício é ótima (dá para sair de lá e ir a pé até a maioria dos lugares que citei no artigo) e o quarto muito confortável, com frigobar. O único problema que tive foi no segundo dia, quando a fechadura da minha porta não abria mais com o cartão magnético. Não me convidaram a mudar de quarto, então toda vez que precisava entrar na hospedagem, tinha que pedir para a recepção abrir a porta para mim.

O que comer em Blumenau?

Especificamente, recomendo não deixar de comer três pratos de Blumenau: a torta glória, feita no Cafehaus Glória (restaurante do Hotel Glória); as cucas e a linguiça Blumenau, que não chega a ser apimentada, mas é forte o suficiente para ser diferente da linguiça calabresa que os paulistas estão acostumados. 

Além disso, não deixe de aproveitar uma tarde na Senhora Farinha Bakery, uma espécie de cafeteria, frequentada pela nata da sociedade de Blumenau, mas com doces e bebidas muito saborosas. 

Torta Glória 

Torta Glória | Foto: Luiza Lamas
A torta glória é feita de bolacha de chocolate (a base dela, essa casca que vemos na lateral e encostada no prato), brigadeiro (logo acima da casca de chocolate), morangos, ganache e chocolate branco. É simplesmente irresistível e imperdível, dá água na boca!

Cucas 

No café da manhã do hotel que fiquei e também no Cafehaus, consegui provar as famosas cucas, muito conhecidas em Blumenau. São diversos sabores para experimentar, mas as mais populares são de banana com farofa e chocolate com farofa (a que eu mais gostei, porque sou doida por chocolate). 

Linguiça Blumenau 

Linguiça Blumenau | Foto: Luiza Lamas
Por fim, mas não menos importante, um prato salgado para comer é a linguiça Blumenau. Experimentei-a em uma batata recheada (que também é muito consumida por lá) e o sabor é forte, mas bem delicioso. O que não fica bom se a combinação é batata? 

Senhora Farinha Bakery 

Cappuccino, bolo de chocolate e cookie na Senhora Farinha Bakery | Foto: Gabriele Spiess
Esta é uma espécie de cafeteria muito arrumada em Blumenau, frequentada por turistas e, pelo que percebi passando algumas horas lá, a nata da sociedade da cidade. O lugar é muito gostoso para trocar ideia com os amigos e ter um momento de gente fina. Como passamos lá a tarde, depois de visitar outros lugares, eu estava de regata, shorts e tênis de caminhada, mas sugiro ir um pouco mais arrumada do que isso para lá. 

Serviço: 
Senhora Farinha Bakery 
Endereço: Rua Paraíba, 256 D - Victor Konder 
Funcionamento: de terça a sexta, das 14h às 20h, sábados e domingos das 9h às 19h; aos sábados e domingos, há brunch das 9h às 14h (não experimentei). 

Você já visitou ou é de Blumenau? Deixe suas impressões sobre a cidade nos comentários! Se tiver alguma dúvida, vou responder o mais rápido possível!

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